Hoje recebi o Livraria Cultura News por email, que vem com uma série de resenhas de bons livros. Uma delas era sobre o livro de Marina W., que eu já li e é muito interessante. A resenha que segue descreve mto bem o texto do livro e questões que atualmente afetam mtas pessoas.
"Imagine-se vivendo numa constante montanha-russa emocional. Num momento, experimentar intensamente a alegria, a euforia e a excitação, sentindo-se invencível, expansivo, cheio de idéias e projetos. E de repente, sem aviso nem explicação, cair numa depressão profunda, marcada por ausência total de auto-estima, desânimo, dificuldade de concentração e falta de memória, passando a conviver com pensamentos negativos.
O quadro descreve a dura realidade dos portadores do transtorno afetivo-bipolar, exposta no corajoso relato da jornalista Maria Adriana Rezende, ou Marina W., seu pseudônimo. Em Não sou uma só: diário de uma bipolar, ela revela as dificuldades familiares e profissionais decorrentes do problema. Conta que, durante muito tempo, sua vida foi comandada por dois pólos nítidos, com a depressão tendo um espaço muito mais acentuado do que a euforia.
Denominada até pouco tempo psicose maníaco-depressiva, a doença se caracteriza pela alternância de estados de humor. Primeiro, a fase maníaca, sinalizada pela hiperatividade; depois, a depressão, em que predominam a ansiedade e a tristeza. O diagnóstico é complexo: para ser bipolar, o indivíduo precisa apresentar os dois sintomas antagônicos, intercalados também por períodos de normalidade. Marina W. conta que só recebeu a notícia de que era portadora da patologia após a adolescência, como acontece na maioria dos casos.
A dificuldade de detectar a bipolaridade e adequar os medicamentos são os pontos mais debatidos pela autora, que inclui, em tópicos à parte, comentários de psiquiatras. “A dor não passa nunca, os remédios demoram semanas para surtir efeito”, desabafa. “Durante as depressões, me sentia em estado permanente de espera – de que alguma coisa acontecesse e me puxasse daquela indiferença profunda”.
De forma leve, cativante e com surpreendente bom-humor, ela narra episódios desencadeados pelo problema, como os apuros para administrar um negócio próprio e a viagem que fez aos EUA, quando morou por meses com desconhecidos, sem dinheiro nenhum. “Neste estado você confia em todas as pessoas, mesmo as que nunca viu antes. A falta de medo afasta o perigo. Todas as pessoas são bacanas, todas as gramas são verdes”.
A jornalista relata também entrevistas que efetuou com outros portadores da doença. As confidências não só acrescentam informações sobre o que sente e pensa o bipolar, mas confirmam que o transtorno afeta um grande número de pessoas e é pouco compreendido pela sociedade. “Não é pouca gente que sofre em silêncio. Não são poucos os que sofrem sem saber o que têm. Hoje enxergo o quanto ainda estamos presos a conceitos antigos”.
Como bem observou o jornalista Pedro Bial, Não sou uma só: diário de uma bipolar ajudará muita gente a se libertar de suas prisões solitárias, de sua agonia inconfessa. “O preconceito, o obscurantismo e a ignorância começam a perder terreno para a luz e a tolerância. Graças a livros como este, que aborda de maneira honesta e acessível a questão do padecer psíquico, da tortura emocional”. O depoimento de Marina W. confirma o quão importante é receber apoio e carinho em momentos difíceis como esses. “Espero nunca mais ter que me esconder debaixo de um cobertor. Sou a soma de tudo o que senti”."
sábado, 23 de junho de 2007
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